As referências históricas de DK: Sem Memória


O som se chama "Sem Memória" narrativa criada por DK para exemplificar o condicionamento que nos foi imposto quando notamos que não conhecemos de fato a verdadeira história do nosso país, condicionados a conhecermos apenas a história que decidiram nos contar. Cultuamos falsos heróis enquanto aqueles que mereciam o verdadeiro reconhecimento pelo povo, foram jogados ao esquecimento e não apareceram nos livros de história.

 

Perder essas histórias é perder muito enquanto sociedade e retroceder para um ideal de avanço democrático. As políticas de branqueamento surgiram quando esses mesmos senhores de engenho e parte da sociedade pós-abolicionista ignoraram qualquer reinserção do negro que, da condição de escravo se tornou um cidadão sem direitos e jogados a própria sorte, pois através desse abandono, estimava-se que o país iria se livrar dos negros.


Com isso, sua ancestralidade, sua religião, seus costumes, seu modo de se portar diante do mundo e tudo aquilo que compunha sua individualidade foi apagado e deslegitimado como algo sem valor e tudo aquilo que surgiria depois como manifestação da sua existência também sofreria as consequências dessa doentia estrutura racista.


DK menciona uma série de personagens históricos, muitos heróis e heroínas das lutas populares e anti-racistas que foram apagados da história, sendo alguns deles:



Galdino: foi um líder indígena da etnia pataxó-hã-hã-hãe, brutalmente assassinado pela alta sociedade de Brasília.


Tu conhece tua árvore genealógica?

Nós sofre de falsidade ideológica

Aí o playboy acha bonito tacar fogo em índio

Esqueceram do Galdino, povo sem memória





 



Dandara: foi uma guerreira negra do período colonial do Brasil. Após ser presa, cometeu suicídio se jogando de uma pedreira ao abismo para não retornar à condição de escrava.





 





Tia Ciata: foi uma cozinheira e mãe de santo brasileira, considerada por muitos como uma das figuras mais influentes para o surgimento do samba carioca.









 



Maria Bonita: foi uma cangaceira brasileira, companheira de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros.


Não sabe quem foi Dandara, Ciata, Maria Bonita

Então para de novela e vem pesquisar nossa história

Pra saber que os bandeirante que deu nome a essa avenida

É igual esses milícia que nós tem aqui agora




 

Zumbi: foi um líder quilombola brasileiro, o último dos líderes do Quilombo dos Palmares símbolo de resistência negra nacional, o maior dos quilombos do período colonial.



Matou a Marielle, matou Zumbi dos Palmares

Escravizava os índios e o povo quilombola

Meus heróis nunca viraram estátua

Morreu lutando contra aqueles que viraram









 

Xangô: é o Orixá da justiça, dos raios e do trovão. Representado pelo elemento fogo e pelas cores marrom e vermelho, ele também simboliza o equilíbrio e as realizações.


Olha seu menor com boneco do Thor

Loiro de olho verde segurando um machado

Imagina seu menor com um boneco de Xangô

A vizinha passando falando "tá amarrado"






 

Lampião: foi o mais bem sucedido líder cangaceiro da história.


Todo camburão tem um pouco de navio negreiro

Parece que o futuro tá repetindo o passado

Se fosse pra escolher um bandido de estimação

Eu preferia o Lampião e não o Flávio Bolsonaro







 


Castro Alves: é um poeta romântico do século XIX. Nasceu em Muritiba, no estado da Bahia, em 1847, e morreu em Salvador, no ano de 1871. É conhecido como o “Poeta dos Escravos”, em função de suas poesias de cunho abolicionista.










 


Joana Angélica: foi uma religiosa brasileira, mártir da Independência do Brasil, morta ao tentar impedir que os soldados invadissem o Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa na Bahia.


Joana Angélica de Jesus

A freira assassinada com uma baioneta

Vocês nunca viram Capitães de Areia

Nunca leram livro de Castro Alves

Adora o Mickey que veio da Disney

Mas ignora todo o nosso folclore

Foda-se a mansão do astro do rock

Foda-se que o Alok vai comprar um Porsche o problema não é esses cara tá ficando rico o problema é o Cartola ter morrido pobre.


 

Essas são algumas referências usadas pelo rapper nos versos, onde podemos enxergar como esse apagamento histórico nos influenciou como sociedade atual. Utilizar a arte como veículo de informação e resgate histórico nos da a chance de não cometermos os mesmos erros do passado e valorizarmos quem um dia lutou pela liberdade que usufruímos hoje.


Confira o som na integra:



Via: Liríca Marginal

Por: Isabela Miranda.